segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Inverter a situação - questionário para heterossexuais


O jornalista Renato Pompeu apresenta um questionário distribuído a alunos de 14 anos, no terceiro ano do secundário no Instituto Móstoles (Madri), e que fez parte do seminário "Preconceitos e Estereótipos – Inverter a Situação". As perguntas ajudam a ‘desnaturalizar’ o modelo heterossexual, que alguns equivocadamente supõem ser válido para todo ser humano. Esta suposição equivocada é a fonte da homofobia e da intolerância.
Fonte: Caros amigos (maio de 2008)


1. O que você pensa que causou a sua heterossexualidade?

2. Quando e como você decidiu que era heterossexual?

3. É possível que a heterossexualidade seja apenas uma fase que você possa superar?

4. É possível que a sua heterossexualidade derive de um medo neurótico em relação às pessoas do seu próprio sexo?

5. Se você nunca teve relações com uma pessoa do seu próprio sexo, não pode ser que o que você precisa é de um bom amante do seu próprio sexo? (...)

8.Por que você insiste em ostentar sua heterossexualidade? Por que você não pode ser simplesmente quem é e ficar numa boa? (...)

10. Parece haver muito poucos heterossexuais felizes. Foram desenvolvidas técnicas que podem ajudá-lo a mudar. Você já considerou a possibilidade de fazer terapia de reversão?

11. Considerando a ameaça que constituem a fome e a superpopulação, a raça humana poderia sobreviver se todos fossem heterossexuais como você?

domingo, 16 de novembro de 2008

Bem-vindo a Goiânia


“Uma água sem gás, por favor”
“Tá trocado?”
“Sim, mas se não estivesse?”
“Eu não ia vender!”
“Não entendi”
“Tô falando. Não dia vender”
“Mas você não pode se recusar a vender por motivo nenhum, muito menos porque o dinheiro não está trocado”
“Se não estivesse trocado eu não ia vender. E ponto”
“Já pensou se você dá o azar de falar a mesma besteira para o superintendente do Procon, por exemplo?”
“Não tô nem aí”

Sábado, 15 de novembro de 2008, às 19 horas

O diálogo acima é tão irreal que pensei que Janeth, caixa do Ad’Oro no Flamboyant, estivesse brincando. Mas não estava. Antes de encontrar uma amiga que jantaria comigo, passei lá apenas para comprar uma garrafa de água. Estupefato, acabei comprando a água, o que eu não deveria ter feito, porém, gosto tanto do restaurante que ainda tive a coragem de voltar lá mais tarde para jantar com a amiga que eu esperava.
É nestas horas que eu tenho a certeza de que estou em Goiânia, a capital mundial da péssima qualidade de atendimento. O pior é que o problema não é apenas na capital. Estabelecimentos de todos os setores de cidades turísticas goianas pecam pelo despreparo dos atendentes e, por vezes, até dos proprietários – o que não é o caso do Ad’Oro - que se colocam na linha de frente.
Que visão o comércio e todo o setor de serviços de Goiânia tem de um cliente? Alguém que está pedindo um favor? É o que parece. Lá fora, a imagem que se tem dos goianos é a de que são pessoas educadas, gentis, hospitaleiras. A média geral pode até ser, mas garçons e caixas – salvas algumas exceções; a minoria, infelizmente - deixam muito a desejar.
Qual é a origem do problema? Não sei. Sei que, em alguns casos, é o salário baixo e a péssima qualidade de vida no trabalho – o que também não sei se é o caso de Janeth. Mas é o cliente que, além de não ter nada a ver com isso ainda é o responsável pelo pagamento do salário do funcionário, tem de pagar o pato?
Eu não sou um consumidor muito exigente, contudo, não consigo ficar calado quando me sinto agredido e julgo que o serviço não está condizente com o pagamento. O que não admito é que falte o básico: respeito e educação. É por esta e outras que 10%, ao menos em Goiânia, deveria ser taxa a ser cobrada para pouquíssimos estabelecimentos, bem poucos.

sábado, 15 de novembro de 2008

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Sagitário com ascendente em Câncer


Inferno Astral é o período de 30 dias que antecede a data de seu aniversário. Nessa época, a cada ano, você fica mais sensível e precisa se dar a si mesmo mais atenção. Durante essa fase, recomenda-se fazer um balanço de sua vida e quando se deparar com problemas, esforce-se por resolvê-los.

Início: 23 de outubro

Final: 22 de novembro




O que é inferno astral?

O período conhecido popularmente como "Inferno Astral" é o mês que antecede o aniversário de alguém. Nesta época, muitas pessoas acreditam viver momentos de angústia, depressão ou até mesmo azar, atribuindo as turbulências a alguma configuração astrológica misteriosa. Será que ela realmente existe e é mesmo inevitável?Existem algumas explicações para entender estes trinta dias temidos antes da inauguração de uma nova idade. O aniversário nada mais é do que o marco de um novo ciclo solar na vida de uma pessoa, ou seja, o Sol passa pelo mesmo ponto do Zodíaco que estava quando ela nasceu, sinalizando uma nova etapa para a sua consciência. Os dias que antecedem esta renovação são exatamente os últimos do ciclo anterior que a consciência vinha atravessando.

Apesar de não ser uma força misteriosa desenfreada como muitos imaginam, existem explicações simbólicas consistentes para a crise do último mês de uma idade, mas isto não significa que acontecerão apenas coisas negativas na vida de alguém ou que seja impossível lidar bem com este período de transição. Todos têm livre-arbítrio e podem, ainda mais compreendendo o ciclo no qual estão inseridos, dedicarem este momento à reflexão e avaliação da etapa terminada, preparando-se sem tantos atropelos para a próxima.


quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Lady Kate


É, Lady Kate, não é fácil ser emergente.

domingo, 7 de setembro de 2008

Diário de bordo


Check in no Santa Genoveva é cada vez pior.
“Em caso de despressurização...”: Se eu andasse de avião quando criança, teria ainda mais traumas.
As instruções de vôo em inglês sempre me irritam. Comissário poderia se informar se há, realmente, alguém que não fale português no avião só para me poupar da repetição.
Tinha me esquecido que um suco e quatro pães de queijo custam 15 reais no aeroporto.
Executivos paulistas: “Dizem que a rodoviária deles é um shopping. E o aeroporto é essa ...”.
No mês de agosto, mesmo no céu é difícil separar nuvem de fumaça.
Nem todo comissário é Reynaldo Gianecchini. Nem toda comissária é Luana Piovani.
Pelo menos os passageiros das poltronas ao lado da gente podiam ter gratuitamente a simpatia paga dos comissários.
O melhor é viajar com notebook e DVD. Pelo menos os executivos da Brenco acham.
Nada como um comandante engraçadinho e metido a radialista para deixar o vôo ainda mais agradável.
Padre tem visual engraçado até dentro de avião.
As pessoas não desligam o MSN nem na sala de embarque. Só não o ligam no avião por causa do medo de derrubar a aeronave.
MP3 é mais comum em ônibus em Goiânia do que em avião Brasil afora.
Aeroporto é passarela. É onde a moda se encontra. Executivos e turistas se misturam. A combinação rende um esporte fino de dar gosto.
Paletó verde e tênis preto, por exemplo.
Jeans preto justo lavado e camisa manga longa vermelha. Peças de preços bons de Opção e Wöllner.
O lanche da Gol nunca vai mudar mesmo.
De cima, a Marginal Pinheiros é metade vermelha: luzes de freio.
Em Congonhas, todas as camisas masculinas parecem ser Dudalina.
Por causa das promoções – os vôos mais baratos sempre são à noite ou de madrugada – já tinha esquecido como o céu é lindo visto de cima.
Cabernet Sauvignon também dá sono. Um sono gostoso.
Chef da Gol, que tal um estágio na cozinha da Tam?
Rádio Tam toca bossa nova e entrevista com Fernanda Takai, além de mais de dez outros canais.
Um dia ainda vivo na ponte aérea.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Cidade de políticos tacanhos


Gosto muito de Goiânia, que me oferece boas oportunidades se comparadas com a falta de perspectivas que assolou minha origem. É uma cidade relativamente tranqüila. Só questiono a afirmação quando acesso o noticiário policial, tomo um ônibus ou procuro um salário decente. Gratidão e ressentimento à parte, uma sensação esquisita toma conta de mim sempre que retorno de alguma viagem. Só me consolo quando vou a Palmas. Se o destino é o Centro-Sul, boto na cabeça que é eterno enquanto dura. Isso porque ainda não saí do Brasil. Tenho medo de o efeito se alargar após a primeira viagem ao exterior.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Jorge da Capadócia


Depois de cinco assaltos, um furto e uma tentativa de seqüestro, “naturalmente” desenvolvi indícios de síndrome do pânico. É terrível. Raramente estou em casa. Quando estou, raramente tem mais alguém. Quando estou em crise, levo duas horas para tomar banho. Nos primeiros cem minutos, abro e fecho a porta do banheiro várias vezes. É só eu trancá-la que ouço barulho do cadeado da sala sendo aberto. Pé por pé confiro que não passa de imaginação, projeção do medo. Ligo o chuveiro e escuto passos na casa. Novamente, cauteloso checo e, surpresa, é coisa da minha cabeça. Toca o telefone. Sacanagem: do outro lado da linha ninguém se pronuncia. Perdi a noção do limite entre o que imagino e o que de fato ouço quando estas ocasiões vêm à tona. Na rua o temor é ainda mais superdimensionado. É um terror. Tenho medo até da minha sombra. Não precisa me cutucar para que eu assuste. Basta me fazer cócegas. Quando me toquei que se trata de pânico, me tornei devoto de São Jorge e recorro à intercessão dele sempre que me vejo diante de uma situação real ou imaginária de assalto ou qualquer outro risco. Desde então, fiz dessa música do Jorge Ben Jor a minha oração a São Jorge Guerreiro. Na verdade, Jorge fez da oração a letra da música:

Jorge sentou na praça


Na cavalaria


Eu estou feliz


Porque eu também


Sou da sua Companhia


Eu estou vestido


Com as roupas


E as armas de Jorge


Para que meu inimigos


Tenham pés e não me alcancem


Para que meus inimigos


Tenham mãos e não me toquem


Para que meus inimigos


Tenham olhos e não me vejam


E nem mesmo pensamento


Eles possam ter


Para me fazerem mal


Armas de fogo


Meu corpo não alcançarão


Facas e espadas se quebrem


Sem o meu corpo tocar


Cordas e correntes se arrebentem


Sem o meu corpo amarrar


Pois eu estou vestido


Com as roupas e as armas de Jorge


Jorge é de Capadócia


Salve Jorge, salve Jorge


Salve Jorge, salve Jorge

terça-feira, 26 de agosto de 2008

É Freud


Faculdade serve para muitas coisas. A disciplina de Psicologia Social também. Annelyse, didaticamente, explicou que a psicanálise prega que criticamos nos outros o que não aceitamos em nós. Ok. Agora, depois da teoria, contextualizo. Sábado, no Bolshoi, fiquei observando um grupo de três mulheres. São maduras – depois descobri que o termo só pode ser aplicado à idade, porque uma delas não tem maturidade -, bonitas, elegantes. Reparei como estavam vestidas distintamente, mas elegantes, cada um em seu estilo. Quando saí, passaram por mim. Comento, infelizmente alto, com a Iris: “Aquela baixinha me lembra o estilo da Eula. Gosta de botas, vestido. A maior é parecida com você. Calça pantalona, blusa mostrando a barriga, mas sem ser vulgar”. Não tive tempo de comentar sobre a terceira, que achei a mais fina, de saia xadrez, escarpin, uma diva. A maior, que julguei parecida com a Iris, logo voltou com a garrafa na mão: “Quem é gorda aqui, meu filho? Seu gordinho "!@#$%¨&*()_+...”. Me atacou gratuitamente e equivocada. Não expliquei que estava, ao contrário do que pensaram, elogiando, porque até convencer que focinho de porco não é tomada já teria ganhado garrafada na cabeça. Eu vivo às turras com a balança. Sou vítima do efeito sanfona, ora emagreço, ora engordo, porém, não desconto em ninguém. Ela, que tem um corpo normal, nem gorda nem magra, deve ser complexada. Ou, ainda, naquele dia, a mãe, o namorado, o ficante, o feirante, o taxista, a amiga que queria derrubar, alguém disse que ela estava gorda. Ficou com aquilo na cabeça e tudo o que ouvia rimava com “gorda, gorda, gorda”. Então, para se vingar, aproveitou a primeira oportunidade para afirmar que quem era gorda ali não era ela. Tão bonita, mas tão precipitada...

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Digno de compaixão


compaixão com.pai.xão sf (lat compassione) Dor que nos causa o mal alheio; comiseração, dó, pena, piedade.

O sorriso se justifica pelo som, pelo sol, pelas perspectivas da jornada que reinicia, pelo próprio sorriso. Não tem como não começar bem a semana quando, na manhã da segunda-feira, a caminho do trabalho, se ouve aleatoriamente no playlist do MP3 Amy Winehouse, Djavan, Luiz Melodia, Mônica Salmaso e Norah Jones. Os espectadores involuntários podem não entender, mas a música ambienta a paixão. Pena que, nesse caso, trata-se ainda apenas de auto-paixão. Digno de compaixão.

domingo, 24 de agosto de 2008

Escolhi ser feliz


Desconfio de quem ainda não sabe o que é ser feliz. Momentos tristes até eu tenho. Coisa de momento é conceito de tristeza e alegria. Felicidade e infelicidade fazem parte da essência. Ou se é feliz ou se é infeliz. O verbo estar deve ser aplicado somente à alegria e à tristeza. Contentamento versus angústia. Se o contrário acontecer, há um problema sério. Pior do que isso, insolúvel. Porque problemas sérios todos nós temos. É o financiamento a ser pago até o dia 15. Esquecimento incorre em multas, juros e outras taxas que desequilibram nosso orçamento. É aquele dente com sensibilidade exacerbada, que nem Sensodyne e enxagüante bucal dão jeito. É aquela seleção na qual fomos reprovados. É aquele flerte que não conseguimos evoluir. É aquela fonte que pediu para retornarmos às 15. Pior. Às 20h50. Ligação refeita e o cara não atende. É a segunda-feira que tem de começar às 6 horas. É a sexta-feira que nem sempre acaba na madrugada de sábado. É aquela impossibilidade de balizar. É aquela amiga que você jurava que era, de fato, amiga. É aquele gerente que não te deixa em paz. É aquele professor que insiste em dizer que não tem nada contra você, mas não vai com a sua cara. É o show no Jaó que começa com horas de atraso. É aquele show do Ney Matogrosso que você jura que não vai começar no horário, mas ele é velho, sistemático e não se atrasa. Como você, atormentado pelos constantes atrasos, chega meia hora depois, são 30 minutos a menos de show. É aquela timidez que acha que te impede de ser feliz. Mas, na verdade, só aumenta seu charme. É aquele assessorado que pede orientação no domingo às 18h10 via e-mail, quando não liga na quinta-feira às 23h30. É sua mãe que se descobriu hipertensa e diabética. É seu pai que sofreu um acidente e quebrou todas as costelas. São os quilômetros de distância em rodovia caótica que os separam. É aquele tênis que você tanto quer, mas que foge da sua previsão orçamentária. É aquela camisa linda na liquidação. Não tem seu número! É aquele cabelo branco aos 23 anos. É aquele ponteiro da balança que não indica menos de 80. É aquela janela do MSN que nunca sobe. É aquele scrap que nunca chega. É aquele torpedo do Ciao. Bella, mesmo que você não goste de pagode e sertanejo, que te atormenta à noite, enquanto você espera aquela mensagem. É o telefone que toca. Pena. É engano. É o ar condicionado que te deixa sem voz. É o calor que te vence. É o aparelho ortodôntico que faz aniversário de cinco anos sem previsão de abandono. É a Adriana Calcanhotto que canta Fico assim sem você e você não tem de quem lembrar. É a espera em Congonhas. É a solidão em Ipanema. É o desassossego em Salvador. É Porto Alegre que não chega. É o isolamento no quarto do hotel. É o auto-abraço. Melhor assim do que viver sem. É o pior castigo. É a oração apressada. É a Bibi Ferreira em apresentação única logo no dia do seu plantão. É o Lulu Santos só para convidados. E você não está na lista. É a falta de percepção. É a distância. É a saudade. É o cardápio. É saber que inverno em Goiânia nunca mais. É saber que agosto passou a ser verão sem chuva. É ouvir Skyline Pigeon sozinho. Ainda assim, me considero a pessoa mais feliz do mundo. Não preciso de motivos meteóricos para isso. Minha felicidade não é fruto da minha juventude, do meu trabalho, dos meus estudos, das minhas duas famílias lindas – uma biológica e uma adotiva -, das minhas viagens, roupas, bebedeiras, livros, menus, peso, altura, cor. É resultado do meu conceito de vida. Há quatro anos adotei a postura de ser feliz incondicionalmente. Sigo à risca.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Eu gosto dos que têm fome





Senhas 1992
Adriana Calcanhotto
in: Senhas 03:35




Eu não gosto do bom gosto


Eu não gosto de bom senso


Eu não gosto dos bons modos


Não gosto


Eu agüento até rigores


Eu não tenho pena dos traídos


Eu hospedo infratores e banidos


Eu respeito conveniências


Eu não ligo pra conchavos


Eu suporto aparências


Eu não gosto de maus tratos


Mas o que eu não gosto é do bom gosto


Eu não gosto de bom senso


Eu não gosto dos bons modos


Não gosto


Eu agüento até os modernos


E seus segundos cadernos


Eu agüento até os caretas


E suas verdades perfeitas


O que eu não gosto é do bom gosto


Eu não gosto de bom senso


Eu não gosto dos bons modos


Não gosto


Eu agüento até os estetas


Eu não julgo competência


Eu não ligo pra etiqueta


Eu aplaudo rebeldias


Eu respeito tiranias


E compreendo piedades


Eu não condeno mentiras


Eu não condeno vaidades


O que eu não gosto é do bom gosto


Eu não gosto de bom senso


Eu não gosto dos bons modos


Não gosto


Eu gosto dos que têm fome


Dos que morrem de vontade


Dos que secam de desejo


Dos que ardem

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Eu não resisto a um bom texto bom


Eu não resisto a um bom texto bom. É por isso que, mesmo sem intimidade, diariamente me locomovo por aqui. Paro, religiosamente, em blogs de pessoas que não me conhecem. Leio. Releio. Reflito. Até me emociono. Não consigo. Comento. Assim, se justificam minhas visitas virtuais a Vinícius Sassine, Deire Assis, Carla Borges, Aline Leonardo, Rimene Amaral, Rodrigo Alves, entre outros. E, impossível de conter, comentários, como se nos conhecêssemos, assinados por um anônimo sob a alcunha de Joãozinho. Ou João Camargo Neto. Ou Não existe pecado. Coisas de Google e família. Coisas de leitor ávido por identificação, por vida em forma de textos, por textos em forma de vida. Coisas minhas. Tão minhas.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

E os goianos, o que são?


João Camargo Neto: Cariocas são bonitos, bacanas, sacanas, dourados, modernos, espertos, diretos e não gostam de dias nublados. Cariocas nascem bambas, craques, têm sotaque, são alegres, atentos, sexys, tão claros e não gostam de sinal fechado. Você conseguiria definir os goianos, tal como fez com os cariocas?

Adriana Calcanhotto:
Acho que não conseguiria, precisaria morar aí...

João Camargo Neto:
E você, leitor?

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

E eu que achava que não existe pecado


Me enganei ao concordar que não há pecado. Na verdade, existe um: beber sozinho. E o pior é que já o cometi. Ando resistindo à tentação para não cair nele novamente, mas tem sido cada vez mais difícil. Tenho vontade de beber uma latinha antes de dormir. Relaxaria e capotaria em paz. No sol das tardes de domingo também bate aquele desejo de molhar a goela com o líquido fermentado. Volto a Pirenópolis há cerca de dois anos. Gente, foi deprimente. Fui sozinho em uma viagem a trabalho. Depois da tarefa cumprida, final de noite, sentei na mesa de um bar da Rua do Lazer e pedi uma cerveja. Que depressão! Quase chorei. Eu bebia, bebia e, quanto mais bebia, mais a cerveja se procriava. Tive a impressão de que não acabaria com ela nunca, mas senti que ela me exterminaria, porque estava me deixando para baixo. Foi nessa situação que me toquei que MC Catra é um experimento científico infeliz e malsucedido do Biquíni Cavadão. Eu, hein?! Saí daquela situação em 30 minutos antes que ela não saísse de mim. Hoje, toda vez que me dá vontade de beber e estou sozinho, rememoro o fato e tomo um achocolatado.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Pizza austríaca


Comer bem e barato em Goiânia é possível. Recomendo, desta vez, o Café Áustria. Trata-se de uma pizzaria no Setor Pedro Ludovico Teixeira, de propriedade de um austríaco. Fica entre o Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo) e o Terminal Izidória. O espaço é pequeno e simples, porém, bem decorado e com músicas agradáveis. Minha indicação é a pizza Viena. Divina!


P.S.: Comece o pedido pelo vinho. A adega não é climatizada e você precisará pelo menos de meia hora para tomá-lo na temperatura ideal, já que é resfriado com gelo no balde. Demore um pouco para pedir a pizza. Em três minutos fica pronta. É assada em forno à lenha.


Serviço

Pizzaria e Café Áustria
Rua 1028, Quadra 65, 102, Goiânia
+55 (62) 3281-2095

domingo, 10 de agosto de 2008

Nenhuma medalha até agora


Competições esportivas mundiais sempre me frustraram. Com exceção à Copa do Mundo, esses eventos competitivos internacionais me amarguram do início ao fim. Como o Brasil não investe maciçamente em outros esportes que não sejam o futebol, nosso país sempre sai mal colocado. Até agora, nenhuma medalha nas Olimpíadas. Nações bem menores, como Coréia do Sul, começam e terminam à frente da gente. O que eu gosto mesmo de ver são as aberturas. Jamais vou esquecer o início dos Jogos Pan-Americanos, ano passado, no Rio de Janeiro. Elza Soares, recém-operada, cantando o Hino Nacional, e Adriana Calcanhoto interpretando Acalanto, do Dorival Caymmi, são inesquecíveis. Ivone Silva estava ansiosa pelo início desses jogos de Pequim. A onda horrorosa de dar inveja a Hitchcock que toma conta do noticiário fez até que eu também os aguardasse com expectativas. Mesmo que o índice brasileiro não seja à altura de sua magnitude, é melhor que os jornais sejam tomados de notícias esportivas made in China.

sábado, 9 de agosto de 2008

Sem vocação para vendas


No primeiro dia útil em Itapuranga, aos 11 anos, fui até uma sorveteria bem cedo e peguei um carrinho de picolé para vender na rua. Fiquei plantado no centro da cidade bem na esquina de um banco, que ficava de frente para outro. Movimento grande: aposentados, catireiros, agiotas. Minha expectativa era vender muito para que, quando fosse entregar o carrinho, ganhasse um picolé de recompensa, além das moedas. Vendi apenas um. Quem comprou? Dona Alzira Maria de Moura, minha professora do pré à quarta-série, que deu aula também para meu pai e meus tios. Ela tinha ido à cidade sacar o salário e, caridosamente, foi minha primeira cliente. E última. Percebi-me sem vocação para vendas. Na verdade, eu queria vender porque meu primo Léo vendia picolé empurrando carrinho na rua também. E vendia tanto que, além do percentual em cima das vendas, ganhava um picolé ao final do dia. E era essa cortesia que eu almejava. Consegui me explicar o meu fracasso. O insucesso da empreitada teve um motivo relevante. Na quinta série eu estudava à tarde. Então, só podia trabalhar de manhã. De manhã, faz frio. No frio, ninguém compra picolé. Voltei para casa já pensando em outra tentativa. Em outro segmento, claro.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Perdão por ter mentido, pai

Quando fiz seis anos meu pai começou a me levar para a roça. O arrependimento bateu poucos anos depois. Ele não se arrependeu porque acha que isso me fez algum mal, até porque não fez mesmo. O arrependimento paterno tem motivo mais pragmático. Para convencê-lo de que eu era péssimo de enxada, não usei palavras. Em vez de arrancar o mato, as ervas daninhas, eu capinava as moitas de arroz e de mandioca. Nunca me deu uma foice. Tinha certeza da minha inabilidade para roçar pasto, mas ainda cria que eu serviria para algo na fazenda. Embora não contasse o motivo, eu chorava para não ter de ir à roça. Gostava apenas de levar o almoço que minha mãe fazia. Carregar as marmitas debaixo do sol do meio-dia era divertido. Afinal, era rapidinho. Eu teria a manhã e a tarde toda para ler na mangueira, meu local predileto, e à noite não estaria tão cansado. Somente aos 11 anos papai percebeu a minha inaptidão total para os serviços rurais. Uma frase – vou ser fiel à transcrição – mudou o roteiro das coisas em 1995: “Eu comprei um barracão na rua e ocê vai mudar pra lá com a sua mãe e a Tatiane”. Rua é como ele chama a cidade, Itapuranga, até hoje. Desde então, há 12 anos, volto ao Córrego da Onça apenas a passeio, algum final de semana de dois em dois meses. E não é de ver que ele não se arrependeu da decisão? É provável que eu dava prejuízo na colheita. Ainda bem que ele não parou para calcular quantos pezinhos de arroz e mandioca – era só o que plantávamos – eu cortei propositalmente. O que mais o intrigou foi a minha contradição. Cresci dizendo que queria ser igual a ele quando crescesse: comprar uma enxada e ir para a roça. Pois, João.

“Conte sua história Pois sua memória Pode um dia se apagar”
Pato Fu, em Mamã Papá

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Uso meu casaco de ursinho panda onde, quando e como quiser


Enquanto almoçava naquele restaurante sempre barulhento – estou envelhecendo – lembrei de uma história constrangedora e engraçada. Até os 11 anos, morei na fazenda com pai, mãe e irmã. Nessa idade, chegou a hora de fazer a quinta série e a professora da zona rural, dona Alzira Maria de Moura, dava aula somente até a quarta. Mudamos mãe, irmã e eu para Itapuranga. O pai ficou na fazenda e só o víamos às quartas, quando ele ia de bicicleta à cidade, e aos finais de semana, quando vovô nos buscava para passarmos o fim de semana em casa. No primeiro dia de aula, coloquei o meu melhor moletom. Era lindo. Meu pai comprou para o início das aulas. Era branco com ursinhos pretos. Bem meigo mesmo. Eu estava louco para usá-lo logo. E nada melhor do que estreá-lo no primeiro dia de escola urbana. Tudo bem até aí, não fosse fevereiro – calorzão. Quer saber mais? Meu turno era o vespertino. Nem aí, fui de blusa de frio para o colégio. Claro! Queria usar aquela peça bem como Adriana Calcanhoto quer comer Caetano até hoje. Aquela não foi a minha primeira vexação em público em ambiente educativo. Na fazenda, eu era sempre ridicularizado. Lembro que, debaixo do sol das 13 horas, na calçada, acompanhado de mãe e irmã, estava todo lindo com a blusa de manga longa. Risos daqui. Risos dali. Até que saquei que estavam me chacoteando porque eles juram que casaco não combina com o sol da uma da tarde de um fevereiro itapuranguense. Discretamente, fui ao banheiro. Acho que foi a primeira vez que tirei a roupa de frio sem a ajuda da minha mãe. Voltei, todo tímido – coisa de sagitário -, para o lado dela, já sem minha roupa nova. Soou o apito. Todos entraram. Minha mãe foi embora. Eu fui estudar. Ninguém tocou no assunto.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Maré de saudade


Seu Pensamento

Composição: Adriana Calcanhoto

A uma hora dessas
Por onde estará seu pensamento
Terá os pés na terra
Ou vento no cabelo?
A uma hora dessas
Por onde andará seu pensamento
Dará voltas na Terra
Ou no estacionamento?
Onde longe Londres Lisboa
Ou na minha cama?
A uma hora dessas
Por onde vagará seu pensamento
Terá os pés na areia
Em pleno apartamento?
A uma hora dessas
Por onde passará seu pensamento
Por dentro da minha saia
Ou pelo firmamento?
Onde longe Leme Luanda
Ou na minha cama?

domingo, 3 de agosto de 2008

Ilusão é coisa para travesseiro


É triste ser tão só, tão carente. A qualquer sinal de simpatia, a gente já colore o gesto e imagina situações de bem-querer. Mesmo quando, na verdade, não passa de um sinal puramente amistoso. Quando se acha que algo pode dar certo, o fim já é avistado. Tão efêmero. Não começa e já acaba. Nada como ouvir o novo álbum do Zuco 103 – apesar de o título ser After the Carnaval – e ter de quem lembrar. Isso ninguém tira! Ligar e a chamada ser inócua, senão dói, ao menos aflige. Ficar de butuca para ver se aparece. Olhar o relógio e calcular quantos minutos – sendo que são horas, dias – faltam. Olhar para frente e perder-se no tempo, sem esperança. Lembrar. Imaginar-se do lado. Junto. Situação confusão. Para quem vem e para quem vai. Para quem fica, então, lágrimas nos olhos.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Amizade é pra poucos


Um dia a gente cresce. Até esse dia chegar, a gente briga. Eu parei de brigar. Cresci? Ao fazer a pergunta, abro meu Windows Media Player e, ironicamente, a primeira palavra que leio é o nome de uma música da Zélia Duncan: Não. Vou desconsiderar. Não foi sinal divino. Apenas coincidência. Sim, quando a gente quer, elas existem.

Lembrei das brigas horríveis, de chorar mesmo, entre Polliana e eu. E nos amamos tanto. O distanciamento da Marilena por motivo, pra mim, tão insignificante. Depois, a Iris. Enfim, pessoas que eu sempre quis muito bem e que sempre me desejaram da mesma forma. De uma hora para outra, deixaram de freqüentar ocasiões proporcionadas por amigos em comum pelo constrangimento de me encontrarem. Graças a Deus, passou. Passou com as três.

Já que blog é diário - o meu é -, vou fazer de conta que estou escrevendo só pra mim. Com a Polliana, avalio que a relação está totalmente amadurecida e quero crer que não caíremos nos mesmos pecados.

Outras análises são prematuras.

domingo, 27 de julho de 2008

A saudade é uma rosa


Quando não estou pensando em escrever no blog, tenho várias idéias de textos para ele. Quando faço login, todas somem. Aline Leonardo não sabe, mas ela me inspira muito. Os textos na Caneca da Nina, com os quais me identifico bastante, e as belas fotografias do álbum no Orkut... Acabo de ver uma imagem dela em Londres. Fui arremessado à Europa e, ao mesmo tempo, ao medo que tenho de sair daqui.
Andrea Régis está em Zurique. Polliana, uma de minhas melhores amigas, também morou na Europa. E voltou. Acaba de regressar a Goiânia. Ana Lúcia, minha prima, e Léo, irmão dela, estão na Espanha. Tiago, meu primo, na Itália. Sheila, filha da tia Maria, em Portugal. Se eu listar, preencherei várias laudas com nomes de amigos próximos e parentes que partiram do Brasil para estudar ou trabalhar fora. E voltaram, de alguma forma, superiores. Não por terem residido na Europa, mas por terem passado por várias experiências que aqui não teriam enfrentado.
Agora é a vez de Cristina e Reale. São bastante corajosos. Não são aventureiros. Voltarão ainda melhores. Melhores pessoal, acadêmica e profissionalmente. Estudar no país natal já é um privilégio do qual a maioria de nós, do universo dos blogs, pudemos desfrutar. Estudar na Europa, na África, na América do Norte ou na Oceania é missão para pessoas de coragem, iluminadas. O medo é natural. A luz está na coragem de enfrentá-lo. Não temer o novo - esperado e inesperado - é magnífico e reservado a poucos.
Gostaria de também ter o desapego de, a qualquer momento, me mudar para onde o vento soprasse, mesmo que fosse para ali, Brasília, por exemplo. Não, não. Rio de Janeiro! Invejo – sentido positivo, hein – Andrea, Polliana, Léo, Aninha, Sheila, Aline, Cristina e Reale.
São dignos da minha admiração. E, de certa forma, o mundo é mesmo cíclico. Polli já está aqui há cerca de um mês. Daqui a pouco a Andrea – para quem está na Europa, considero São Paulo “aqui”. Léo e Aninha sempre vêm. O tempo vai passar rapidinho e, não tenho dúvida, logo estarei abraçando novamente – tal como ontem, um dia tão agradável – Cristina e Reale. E, em vez de repetir “vão com Deus”, a frase será outra. "Sejam bem-vindos".
Mesmo assim, de lá, ouvirão muitos “welcomes”. Ao mundo novo do Velho Mundo. Ao frio dinamarquês. Ao verão europeu. Aos finais de semana nos parques, nos museus, nas praias, nas pontes, nos lagos, nas montanhas e outros pontos turísticos mais desejados.
Saudade não é apenas uma palavra com significado somente em português. É um sentimento doloroso se não for bem trabalhado. O peito pode apertar. E vai. Os olhos podem lacrimejar. E vão. O sono pode esvair. E já está, né, Cris e Reale?! Mas tolice seria não agarrar a oportunidade e enfrentar o novo por medo de passar por situações das quais ainda não temos domínio. Ele logo virá.
Por fim, luck – porque toda sorte é boa. Em breve – que sejam dois ou cinco anos –, vocês receberão muitas boas-vindas. Dessa vez, em português. E não será o de Portugal.

sábado, 26 de julho de 2008

A gente trabalha o ano inteiro


A Felicidade

Composição: Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes


Tristeza não tem fim

Felicidade sim

A felicidade é como a gota

De orvalho numa pétala de flor

Brilha tranqüila

Depois de leve oscila

E cai como uma lágrima de amor

A felicidade do pobre parece

A grande ilusão do carnaval

A gente trabalha o ano inteiro

Por um momento de sonho

Pra fazer a fantasia

De rei ou de pirata ou jardineira e tudo se acabar na quarta feira

Tristeza não tem fim

Felicidade sim

A felicidade é como a pluma

Que o vento vai levando pelo ar

Voa tão leve

Mas tem a vida breve

Precisa que haja vento sem parar

A minha felicidade está sonhando

Nos olhos da minha namorada

É como esta noite

Passando, passando

Em busca da madrugada

Falem baixo, por favor

Pra que ela acorde alegre como o dia

Oferecendo beijos de amor

Tristeza não tem fim

Felicidade sim

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Quando um certo alguém


Não quero assustar nem povoar meu pensamento de ilusão contornada de esperança. Vejo, porém, muitas afinidades. Sei que não precisava acentuá-las, mas era só para certificar de que estamos no caminho certo. Sei que, da sua parte, não há pretensões. Tratemo-nos como se da minha também não houvesse. Deixou de haver. Prometo não avançar o sinal para não ter de visualizar a faixa "Pare". O objetivo inicial, espero que você tenha essa clareza, era só alguém para me fazer bem mesmo despretensiosamente. Conversar. Ironizar. Comentar. Recomendar. Perguntar. Rir. Um dia confidenciar. Quem sabe... E olha que você entrou nessa sem saber que tinha missão. No final, apenas do primeiro de infindáveis capítulos, a certeza de agradabilidade mútua. Grato por aliviar a minha tensão, mesmo sem querer (das duas partes). Aguardei muito por esse momento. E aguardo - sem muitas expectativas, que é para ser ainda melhor - os próximos.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Diga ao povo que mudo


Não vou ser diabético, hipertenso, depressivo, estressado, ranzinza... Aos poucos, mudo meus hábitos. Uma hora diária de caminhada e corrida, ciclismo e eliption foi o primeiro passo. Perdi peso e extravaso nos exercícios a ansiedade acumulada ao longo do dia e culminada com as previsões para o seguinte. Agora, parto para a dieta. O objetivo final não é emagrecer. Menos dois quilos e eu estou no ponto. Pesei hoje e o marcador apontou 78. Com várias enfermidades crônicas no histórico das famílias Castro e Camargo, achei melhor ficar esperto com a alimentação já aos 23 anos. Quase julguei tarde, mas quero crer que haja tempo. E há! Nunca foi tão gostoso almoçar salada. Adoçar limonada com adoçante não mata. Suco de laranja sem açúcar - sempre me recusei a beber - é uma delícia. Sanduíche natural de frango com ricota é melhor do que Wopper (que é sempre acompanhado de refrigerante à vontade). Sinto que açúcar realmente é dispensável e outras coisinhas mais. Deus, dá-me força para permanecer neste propósito. Amém.

sábado, 19 de julho de 2008

Não deixe Madonna morrer


Já tinha esquecido o quanto é bom sair para dançar. E que sexta é o melhor dia das feiras.
Não deixe Madonna acabar.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Leitura segmentada


Há uma nova e boa safra de revistas (paulistas) destinadas aos leitores gays. Moda, cultura, comportamento, turismo, esporte - sim, gay também pratica! -, entrevistas, perfis... Espécies de Marie Claire para homens que gostam de homens e mulheres que gostam de mulheres. Aime, DOM e Junior merecem destaque. A elas, vida longa. A Iguais, no mesmo estilo, lançada há uns dois anos, não passou do primeiro número. Uma pena! Algum jornalista empreendedor precisa despertar para esse segmento de publicações em Goiânia e abocanhar este filão por aqui também.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Febre


É definitivo. Não sei mesmo me relacionar. Antes, me sentia incapaz para namorar. Agora, o diagnóstico: até para manter amizades.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Ensaio sobre o desrespeito


Andrea tem razão. E mais. Não agüento – permitam-me a repetição – mais o desrespeito com que tratam jornalista em Goiânia. Vou falar daqui porque é a minha realidade, mas, certamente, não deve diferir muito em outras periferias do Brasil. É jornalista que destrata jornalista. É empresário que desrespeita jornalista. É fonte que desconsidera jornalista. É contratante que acha que jornalismo pode ser feito por qualquer um.
Vamos aos fatos. Semana passada uma grande amiga me recomendou um free-lancer. Não era nada grandioso, mas também não era um biquinho. Era o lançamento da nova sede de uma respeitada empresa de consultoria em recursos humanos. Liguei para a responsável – leia-se: a dona! -, falamos do trabalho e tal e fiquei de encaminhar em seguida orçamentos de espaços pagos onde ela gostaria de veicular também. Apurei que cada palestra dela custa 3 mil reais.
Ela só esqueceu – esqueceu, né?! – de perguntar quanto valeria o meu trabalho. Como não sou bobo nem nada, antes de orçar, enviei para o endereço eletrônico dela o valor do meu serviço. Era terça-feira. O evento ocorreria – deve ter ocorrido – na terça seguinte. Pouco tempo. Demanda mediana. Contato é contato. Mailing é mailing. Profissionalismo é profissionalismo. Respeito é respeito. E jacaré é um bicho.
Quarta-feira. Nem sinal de fumaça.
Quinta-feira, 17 horas, liguei para ela. Afinal, não perderia um trabalho desses por falta de insistência, né?!
“Oi, João. Até o final do dia eu vou te ligar para a gente negociar”.
“Ok”.
No dia seguinte, me liga a secretária da dita cuja para confirmar o recebimento do convite para a inauguração. Eu disse ter recebido. Até a mim não chegou. Bem como a contratante (?!) não deu a menor satisfação, não respondeu o e-mail, não mandou torpedo, não ligou, não mandou recado.
Não cobrei caro. Não cobrei barato. Estipulei o valor certo. Cobrei um preço que – como manda a lei do mercado – daria uma margem para baixar uns 200 reais no orçamento. Lembrei da Andrea na hora. Recentemente, ela se queixou comigo que jornalista goiano de redação não responde e-mail de assessor de imprensa. É fato. Eu, na condição de repórter, passei a dar feedback aos quilos de material recebidos a partir desta queixa.
Ah, e Andrea reclamou disso porque eu havia reclamado que me aconteceu o mesmo em outro episódio. Envio orçamento para contratante, ligo, deixo recado e fico na chapada. Quem dera fosse na dos Guimarães ou na dos Veadeiros. Mas é na chapada em caixa baixa mesmo.
Pô, galera, uma faculdade de jornalismo dura no mínimo quatro anos. É o mesmo tempo que estou no mercado profissional. E não me importa o tempo. Cada trabalho tem seu preço. O que importa são os resultados. Empresário goiano – tem colega jornalista que faz igual – acha que nós somos o quê? Nos oferecem merreca, abaixo das tabelas sindicais – que, convenhamos, já são subumanas -, pressionam horrores, geralmente demoram para pagar e por aí vai.
Queiram me desculpar, mas jamais me desvalorizei e não vai ser agora que vou fazer isso. Seria um auto-desrespeito e um desrespeito com a categoria. Por que essas coisas continuam acontecendo? Porque há quem pegue trabalhos por preços bem inferiores do que valem. Que permutam seu suor por produtinhos de grife.
Eu quero ter a minha grana para comprar a minha roupa onde eu quiser. Seja na Feira Hippie, na Osklen, na Daslu, na Daspu ou na Dosgay. É demais querer receber em dinheiro? É demais querer receber pelo meu trabalho? É demais querer resposta ao passar um orçamento? É demais clicar, sem custos, em “responder o e-mail”? É demais? É?
Olha, para trabalhar em troca de comida eu não precisaria ter saído da casa do meu pai, me sacrificar para cursar quatro anos de curso superior – pago minha faculdade, financiada, até o segundo semestre de 2013 -, fazer cursos, investir em línguas estrangeiras, assistir os lançamentos no cinema, ler tantos livros obrigatórios – o faria somente pelo prazer, então -, andar na moda (hahahahaha)...
Goiânia, em muitos segmentos, ainda me deprime.

domingo, 13 de julho de 2008

sábado, 12 de julho de 2008

quinta-feira, 10 de julho de 2008

domingo, 6 de julho de 2008

Para começar bem a semana madrugue no domingo



Tomara que começar a semana às 5h45 (para quem a terminou à 1h29 do mesmo dia) seja, no mínimo, promissor e garantia de que levantarei cedo todos os dias. Tomara que a parte chata (esperar minha tia quase duas horas) não se repita. Porque ninguém gosta de esperar.

sábado, 5 de julho de 2008

Sobe e desce


Eu, que me achava moderninho e liberal, ainda me espanto com alguns avanços (?).
+Podem pirar, mas ontem, no show da Elza Soares, tive um susto quando vi um casal de mãos dadas. Só porque eram dois homens.
-Mais tarde - 12 horas exaustivas - choquei ao encontrar um amigo (muito) drogado. Logo eu que acho tudo tão normal por fazer muitas coisas que a sociedade não acha nada comum.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Beba-me


Elza Soares a partir das 21 horas no Teatro Rio Vermelho. É pra lá que eu vou. Imperdível!

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Vai lá


Das 19 às 19h40, Elza Soares estará na Saraiva Mega Store, no Flamboyant, para noite de autógrafos e fotografias.
Dicas
  • Nada de dizer: 'Nossa, Elza, você não parece ter a idade que tem!'
  • Esqueça que ela foi casada com o Garrincha.
  • Esqueça que ela é casada. Segredo: com um DJ.
  • Nada de perguntar sobre o filho que morreu. Ela tem oito vivos. Mesmo assim, atenha-se a falar sobre a carreira dela.
  • Ao menos na presença dela, Caetano é seu deus.
  • ...

terça-feira, 1 de julho de 2008

Novo, porém desconfortável


Hoje andei em um dos 250 ônibus novos que estão circulando em Goiânia desde sexta-feira. Não senti vantagens quanto ao conforto. Perdem para os laranjinhas. Os bancos da nova frota são de plástico duro, aos contrário dos assentos dos veículos semi-novos, que são macios.

sábado, 21 de junho de 2008

quarta-feira, 7 de maio de 2008

E aí, blog?




- Posso ajudar?



- Não, obrigado. Tava só olhando.

domingo, 4 de maio de 2008

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Duas ou três boas recomendações


O Café Brazuca, no Centro de Goiânia, quase no cruzamento da Avenida Anhangüera com a Tocantins. É administrado pela Loreda, uma publicitária de muito bom gosto. Trata-se de um café muito charmoso num dos pontos mais movimentados da capital.


A Cervejaria Goiás - ex-Cervejaria Brasil -, também no Centro, na Avenida Araguaia com a esquina da Rua 4 (ou 20). O som é legal. O ambiente é legal. O público é legal. As comidinhas são saborosas. Não seria por menos. Acho que é administrada pelo Ângelo, chef-músico.


"Pois meu amor tem um pouquinho disso tudo..."

Aproveito também para recomendar Maria Bethânia & Omara Portuondo.


Goiânia tem bons programas sim! Digo mais: ótimos. Ficar em casa também é muito proveitoso se você souber escolher o que ler, ouvir e assistir.

domingo, 20 de abril de 2008

João Gilberto


Uma multidão com armas e gritos pode levar anos para fazer uma revolução. Um gênio, décadas para ser reconhecido. João Gilberto precisou apenas de sua voz, sua batida de violão e da canção ‘Chega de saudade’ para mudar o curso da música brasileira e fincar seu nome na história. Como bem observou o jornalista Mario Sérgio Conti em um artigo sobre o artista, “no cinqüentenário da bossa nova, é preciso voltar a João Gilberto”. E é isso que o Banco Itaú faz em sua homenagem aos 50 anos do movimento, promovendo o retorno de João Gilberto aos palcos brasileiros após quase uma década de ausência. O público será contemplado com uma série de quatro apresentações: dias 14 e 15 de agosto, no Auditório Ibirapuera, em São Paulo; dia 24 de agosto, no Theatro Municipal carioca; e dia 05 de setembro, no Teatro Castro Alves, em Salvador.

sábado, 19 de abril de 2008

Saramago prepara novo romance para o final do ano


O escritor português José Saramago, Prêmio Nobel de Literatura 1998, prepara um romance para o final deste ano intitulado "A viagem de um elefante", anunciou em uma entrevista publicada neste sábado pela revista portuguesa Sol."O livro não está muito adiantado. Está na metade. Espero concluí-lo neste verão e publicá-lo no outono" (hemisfério norte), declarou ao Sol, sem dar detalhes a respeito do assunto deste novo livro.José Saramago, 85 anos, que vive na ilha de Lanzarote, no arquipélago espanhol das Canárias, esteve hospitalizado no final do ano passado devido a uma insuficiência respiratória.O autor de romances clássicos como "O ano da morte de Ricardo Reis", "O Evangelho segundo Jesus Cristo" e "A jangada de pedra", vive em Lanzarote desde 1993 com sua esposa, a jornalista Pilar del Río.Na quarta-feira é aguardado em Lisboa para inaugurar a exposição "José Saramago: a consciência dos sonhos."

Fonte: Diário do Grande ABC