quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Jorge da Capadócia


Depois de cinco assaltos, um furto e uma tentativa de seqüestro, “naturalmente” desenvolvi indícios de síndrome do pânico. É terrível. Raramente estou em casa. Quando estou, raramente tem mais alguém. Quando estou em crise, levo duas horas para tomar banho. Nos primeiros cem minutos, abro e fecho a porta do banheiro várias vezes. É só eu trancá-la que ouço barulho do cadeado da sala sendo aberto. Pé por pé confiro que não passa de imaginação, projeção do medo. Ligo o chuveiro e escuto passos na casa. Novamente, cauteloso checo e, surpresa, é coisa da minha cabeça. Toca o telefone. Sacanagem: do outro lado da linha ninguém se pronuncia. Perdi a noção do limite entre o que imagino e o que de fato ouço quando estas ocasiões vêm à tona. Na rua o temor é ainda mais superdimensionado. É um terror. Tenho medo até da minha sombra. Não precisa me cutucar para que eu assuste. Basta me fazer cócegas. Quando me toquei que se trata de pânico, me tornei devoto de São Jorge e recorro à intercessão dele sempre que me vejo diante de uma situação real ou imaginária de assalto ou qualquer outro risco. Desde então, fiz dessa música do Jorge Ben Jor a minha oração a São Jorge Guerreiro. Na verdade, Jorge fez da oração a letra da música:

Jorge sentou na praça


Na cavalaria


Eu estou feliz


Porque eu também


Sou da sua Companhia


Eu estou vestido


Com as roupas


E as armas de Jorge


Para que meu inimigos


Tenham pés e não me alcancem


Para que meus inimigos


Tenham mãos e não me toquem


Para que meus inimigos


Tenham olhos e não me vejam


E nem mesmo pensamento


Eles possam ter


Para me fazerem mal


Armas de fogo


Meu corpo não alcançarão


Facas e espadas se quebrem


Sem o meu corpo tocar


Cordas e correntes se arrebentem


Sem o meu corpo amarrar


Pois eu estou vestido


Com as roupas e as armas de Jorge


Jorge é de Capadócia


Salve Jorge, salve Jorge


Salve Jorge, salve Jorge

4 comentários:

Andrea Regis disse...

Salve João!

Maria Cristina disse...

relaaaxa! tb ouço coisas, rs

Deire Assis disse...

tenho são jorge em dois lugares (além do meu coração, claro): ao lado do meu computador, em casa, um vermelho, de camurça, presente de um amigo. o outro está na redação do jornal que trabalho. serenar, serenar....

longge disse...

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