sábado, 1 de março de 2008

Assédio moral: chega de humilhação!


Me sinto o grande responsável por minha irmã não ter tido coragem de enfrentar a vida em Goiânia. O medo de trabalhar - não era preguiça, era insegurança mesmo - fez com que ela voltasse para Itapuranga depois de 15 dias morando comigo há uns três anos. Claro! Eu trabalhava numa livraria onde o gerente era muito carrasco e me perseguia. Como passava até 12 horas na empresa, chegava em casa e não tinha outro assunto. Só falava mal do trabalho e do comportamento cruel do dito cujo. Entre outras coisas, ele ouvia minhas ligações na extensão; se irritado, pegava o telefone e jogava no chão; brigava com funcionário na frente do cliente; brigava com o cliente na frente de funcionário; dava murro na parede, na mesa. E assim por diante. Não tenho dúvida que o fato de eu ter partilhado minha amargura nos três anos em que trabalhei lá causaram na minha irmã, já insegura, um medo quase insuperável de trabalhar fora. Eu devia ter processado ele. Até bem pouco tempo, ainda pensava nisso. Passou, porém um trauma muito grande ficou. Hoje não consigo trabalhar com gente estúpida e se alguém é grosso comigo já tenho vontade de chorar. Evito alguns trabalhos simplesmente porque suspeito que o superior pode ser ríspido. O ambiente de trabalho tem de ser harmônico. É nele que passamos boa parte das nossas vidas.


Abaixo, matéria publicada no Portal Imprensa.


O terror trabalha ao lado
Por Angélica Pinheiro


"Paguei todos os meus pecados. Dia após dia, ouvia que era burra, incompetente, que as minhas matérias eram um lixo. Tudo em voz alta, para a redação inteira ouvir. Fui parar no hospital. Crise aguda de gastrite. Fora a enxaqueca permanente". O depoimento é de Paula*, hoje assessora de imprensa, que durante dois anos se submeteu a humilhações diárias capitaneadas por um editor de um jornal de grande circulação de São Paulo. Um exemplo, dentre muitos, de um tipo de violência comum nas redações: o assédio moral.
Reféns da vergonha, do medo de perder o emprego e de serem taxados como encrenqueiros, a maioria não denuncia os superiores. Paula, por exemplo, optou pela saída mais corriqueira, pediu demissão. "Concluí que não valia a pena denunciar. Ainda tenho muita carreira pela frente", justifica.
O receio pode ter razões práticas. Mas contribui para velar uma agressão que é tão antiga quanto uma Olivetti Lettera, marcada por uma conduta abusiva do superior que, repetidamente, usa gestos, palavras e atitudes para humilhar um funcionário ou muitos deles. Ou seja, não trata-se apenas de uma mera implicância de chefe com subordinado.
A área de comunicação é terreno fértil para o assédio. Só perde para saúde e educação. Não é difícil saber o porquê quando se conhece a rotina de um jornalista. Doutor em comunicação, o psicólogo José Roberto Heloani mergulhou nas histórias desses profissionais, para o trabalho "Mudanças no mundo do trabalho e impactos na qualidade de vida do jornalista", e descobriu situações semelhantes em diversas redações.

Tipos de chefe
As desavenças no jornalismo são produto de uma lógica competitiva, motivada, muitas vezes, por um conflito de gerações. Ou seja, o mais jovem desqualifica o trabalho do mais velho, que não possui tanto domínio da tecnologia quanto ele. E quem tem mais idade, por sua vez, costuma classificar os chamados focas como irresponsáveis e ignorantes. "O isolamento é a mais comum das humilhações. Um elogio sutil, acompanhado de uma desqualificação profissional, também é uma atitude corriqueira. Cria-se um clima de desconfiança até que os próprios colegas começam a questionar o trabalho dessa vítima, isolando-a", explica o psicólogo.
Não há, por enquanto, uma avaliação empírica sobre quantos jornalistas sofrem assédio no Brasil. Mas no universo pesquisado por Heloani, 44 pessoas, 19% era alvo de agressões. As conseqüências são graves. Os homens costumam ter problemas cardíacos, gastrintestinais e de disfunção erétil. Já as mulheres sofrem com doenças hormonais, enxaquecas e queda de cabelo. Alcoolismo, uso de drogas e até tentativas de suicídio também ocorrem.

Um comentário:

longge disse...

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