sábado, 1 de março de 2008

Rio, você foi feito pra mim


Show celebra os 50 anos de bossa nova
Artistas que construíram a história do movimento musical mais famoso do Brasil reúnem-se com seus discípulos para relembrar canções e momentos da MPB


Danilo Casaletti


No sábado (1º), a praia de Ipanema, no Rio de Janeiro, vai assistir a um encontro para celebrar os 50 anos de bossa nova, gênero criado pelo músico João Gilberto (fotografia) que revolucionou a música popular brasileira e a fez ficar famosa no mundo todo.
Os músicos que tomaram parte da história do movimento - João Donato, Roberto Menescal, Carlos Lyra, Zimbo Trio, Oscar Casto Neves, Marcos Valle, Leny Andrade - recebem aqueles que foram diretamente influenciados pela bossa - Leila Pinheiro, Emílio Santiago, Joyce e Bossacucanova. No show, ainda há espaço para a nova geração, como é o caso de Fernanda Takai - que acaba de lançar um disco com regravações do repertório de Nara Leão, uma das musa do gênero - e Maria Rita, que vai relembrar o ambiente do Beco das Garrafas, uma famosa viela em Copacabana que abrigava as boates onde músicos como Tom Jobim, Johnny Alf e Dolores Duran tocavam.
Com apresentação de Miéle e Thalma de Freitas, o show, que começa às 19h, será divido em seis blocos temáticos: Orfeu da Conceição, Lançamento do LP 78 rotações de João Gilberto, Apartamento de Nara Leão, Beco das Garrafas, Carnegie Hall e E a Bossa Continua. No final, todos os artistas cantam Se todos fossem iguais a você, clássico de Tom Jobim e Vinícius de Moraes.
Segundo a organizadora do Bossa Nova - 50 anos, Solange Kafuri, o grande objetivo do evento é relembrar os momentos importantes do movimento e mostrar ao público que a bossa continua atual, mesmo que remixada para as pistas de dança do mundo todo. “Há um público eterno e também um público novo para a bossa”, diz Solange.
A apresentação na praia de Ipanema será registrada para o lançamento de um DVD comemorativo.


Batida diferente que conquistou o mundo

Em 1958, a cantora Elizeth Cardoso decidiu lançar um LP com composições de uma nova dupla - Tom Jobim e Vinícius de Moraes. Tom ficou responsável pelos arranjos do disco e convidou para tocar um violonista que estava começando sua carreira: João Gilberto.
A participação de João no disco Canção do Amor Demais é pequena. Ele aparece em apenas duas faixas: Outra vez, um samba-canção de já gravado anteriormente, e a inédita Chega de Saudade. Mas, o violão de João Gilberto não passou despercebido aos ouvidos dos músicos e críticos da época. A batida que ele dera ao violão era diferente. Surgia uma nova maneira de ritmar samba. Era a bossa nova.
Para o crítico e produtor musical Zuza Homem de Mello, somente a partir de seu primeiro disco solo, gravado meses depois de Canção do Amor Demais, João pôde, de fato, mostrar qual era a sua bossa. “Ele tentou, em vão, fazer com que Elizeth cantasse de uma maneira mais cool”, explica. Em seu próprio disco, João regravou Chega de Saudade à sua maneira: dividiu a melodia de seu modo, com uma emissão vocal mais contida e, por fim, mudou o modo como o baterista tocava o samba.
Para Zuza, a bossa nova encanta o mundo até hoje justamente por apresentar uma melodia genuinamente brasileira, um malemolência que não existe em qualquer outro gênero musical. “É só ouvir Diana Krall. Ela não canta como Tony Benett, por exemplo. O baterista dela toca bossa nova”, diz. “A bossa nova é leve, fresca. Será sempre atual”.
O crítico recomenda, para quem quiser conhecer o gênero em sua essência, ouvir os três primeiros discos de João Gilberto (Chega de Saudade (1959), O amor, o sorriso e a flor (1960) e João Gilberto (1951)). “Só quem não é sensível, diz que não gosta do João”, afirma. Sobre a reclusão do mestre João, Zuza acha uma justificativa na “mania” de perfeição do músico. “O João só se apresenta onde ele pode mostrar seu trabalho de uma maneira plena. E aqui no Brasil não existe esse lugar”.

Um comentário:

longge disse...

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